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Já no Egito para a COP27, Lula terá reunião reservada com John Kerry

O presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante campanha - Ricardo Stuckert
O presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante campanha Imagem: Ricardo Stuckert

Clarice Couto, enviada especial

Sharm El-Sheikh

15/11/2022 07h45Atualizada em 15/11/2022 08h37

O presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva já chegou à Sharm El-Sheikh, cidade no Egito onde é realizada a COP27 (Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas). Lula terá uma reunião reservada com o enviado dos Estados Unidos para o clima, John Kerry, no fim da tarde desta terça-feira, de acordo com a assessoria de imprensa do presidente eleito.

O horário exato do encontro, contudo, não foi informado. Pela manhã, o presidente eleito descansa da viagem de cerca de 12 horas em uma residência oferecida pelo governo egípcio.

O petista é o nome internacional mais aguardado nesta segunda semana da Conferência do Clima da ONU, que acaba na sexta-feira (18).

Nestes três dias de presença no Egito, Lula deve se reunir com representantes de pelo menos uma dezena de países, como China e Alemanha, além do secretário-geral da ONU, António Guterres. Nesta reta final da conferência, o discurso dele na plenária da ONU é o que gera mais expectativas, já que a maioria dos chefes de Estado de Governo dos 197 países participantes esteve presente na primeira semana do evento, iniciado no dia 8 de novembro.

O presidente francês, Emmanuel Macron, falou na abertura da conferência e o americano, Joe Biden, compareceu na sexta-feira (11).

O presidente Jair Bolsonaro não comparecerá ao evento, ao qual nunca foi durante os seus quatro anos de mandato. Lula recebeu convite do presidente egípcio, Abdel Fatah al-Sissi, logo após o resultado do segundo turno das eleições no Brasil, mas ele não representará oficialmente o país, já que só toma posse em 1º de janeiro de 2023.

Essa será a primeira agenda internacional de Lula depois de eleito. O presidente eleito recebeu primeiro um convite do governador reeleito do Pará, Helder Barbalho (MDB), para ir ao encontro. Há a expectativa de que Lula participe de atividades no espaço da sociedade civil e não no estande do governo federal, ainda sob a tutela da administração Bolsonaro.

Potencial do Brasil

Enquanto isso, a mobilização da sociedade civil segue a pleno vapor no Brazil Climate Action Hub. Nesta segunda-feira, um grupo de organizações, com a participação das ministeriáveis Marina Silva e Izabella Teixeira, formulou um pacote de propostas para o futuro governo nas áreas ambiental e climática.

Em outro evento, especialistas no uso da terra - que inclui agricultura, desmatamento e queimadas - apontaram que o Brasil tem tudo para ser o primeiro país do mundo a zerar as emissões líquidas de gases de efeito estufa até 2040. Isso seria possível graças a um maior controle da devastação das florestas associado a melhores práticas agrícolas.

"Se eliminarmos as emissões por uso da terra, dá uma redução de 77% nas emissões brasileiras em relação a 2005. Se considerarmos a variação de carbono no solo por manejo de pastagem, podemos tirar mais 230 milhões de toneladas que são absorvidas nos solos agrícolas. E se acrescentarmos nessa conta que é possível reduzir 200 milhões de toneladas de metano, nossas emissões praticamente seriam residuais", detalhou Tasso Azevedo, coordenador geral do MapBiomas.

*Com informações de Lucia Müzell, enviada especial da RFI