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Mauricio Stycer

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Ataque de Bolsonaro a Vera deveria ter sido condenado pelos apresentadores

Colunista do UOL

29/08/2022 00h45Atualizada em 29/08/2022 10h59

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No animado primeiro debate com candidatos à Presidência em 2022, com análise de pedidos de resposta em tempo real, faltou agilidade aos promotores do evento para analisar o ataque do presidente Jair Bolsonaro à jornalista Vera Magalhães. Na minha opinião, cabia não apenas oferecer a palavra a Vera para responder às ofensas, caso ela desejasse, como também uma condenação oficial, por parte dos apresentadores, à atitude do presidente.

Vera Magalhães questionou Ciro Gomes sobre a cobertura vacinal do Brasil e perguntou ao candidato se as desinformações sobre o imunizante contra a covid-19, que inclusive foram disseminadas por Bolsonaro, podem ter tido impacto na queda vacinal no país. A jornalista não disse nenhuma mentira, como foi cabalmente demonstrado pela CPI da Covid.

Ao comentar a pergunta, após Ciro, Bolsonaro disse: "Vera, eu acho que eu não podia esperar outra coisa de você. Acho que você dorme pensando em mim. Você tem alguma paixão em mim. Não pode tomar partido num debate como esse. Fazer acusações mentirosas a meu respeito. Você é uma vergonha para o jornalismo brasileiro".

A resposta desrespeitosa, ao vivo, não deveria ter passado em branco num evento jornalístico. Simone Tebet e Soraya Thronicke logo manifestaram solidariedade a Vera. Quase uma hora depois, também Ciro e Lula se solidarizaram com a jornalista.

Num debate em que a questão de gênero acabou se tornando um dos temas mais importantes, foi positivo ver tantas mulheres fazendo perguntas, mas também chamou a atenção a falta de jornalistas negros entre os entrevistadores e apresentadores.

Band, TV Cultura, UOL e Folha optaram por um formato convencional, que estimula, por um lado, a troca de ideias (e ofensas) entre os candidatos e, por outro, tenta levantar temas relevantes por meio de perguntas dos jornalistas. Ainda que muito previsível, abre espaço para surpresas e mostra a capacidade de improvisação dos candidatos.

O modelo funcionou relativamente bem, na minha opinião. Mais importante, neste momento, foi ter colocado os seis principais candidatos num mesmo palco, submetendo-os a uma prática republicana.

Atualizado às 11h: As regras do debate vetam réplicas de jornalistas e inibem comentários dos apresentadores. Mas, como lembraram Tales Faria e Kennedy Alencar no UOL Eleições, já houve situações em que as empresas de comunicação, citadas em comentários de candidatos, se apressaram em divulgar notas de esclarecimento ao vivo, ainda durante os debates ou entrevistas. Por esse motivo, acho que caberia muito bem o registro de um protesto dos apresentadores do debate sobre a fala de Bolsonaro.